Que evangelho é esse?

As igrejas evangélicas no Brasil foram invadidas por uma teologia que encontrou solo fértil para crescer e ser cultivada no contexto que estamos vivendo; triunfo do capitalismo, associado ao misticismo do povo brasileiro. O Evangelho de Jesus Cristo tornou-se um produto e não uma mensagem a ser proclamada até os confins da terra. “O toma lá da cá”, é a palavra de ordem, as pessoas vão a igreja em busca das bênçãos e não em busca de Deus. Parece que Deus tem obrigação de realizar os sonhos de cada pessoa. A cada dia estes lugares estão mais cheios de pessoas, porém pessoas vazias de Deus.

O Evangelho da prosperidade floresce neste contexto. Um Evangelho que promete riqueza, saúde e muito sucesso. Nas orações não escutamos mais palavras como: eu imploro, eu peço por tua misericórdia, seja feito segundo a tua vontade. Outras palavras tomaram o lugar, tais como: eu declaro, eu ordeno, eu mando. Parece que Deus não pode usar mais da sua abscondicidade (direito de se esconder, ou não se manifestar). Parece que Deus deixou de ser O todo poderoso, que faz tudo conforme o conselho da sua vontade, para se tornar o gênio da lâmpada mágica, e satisfazer todas as vontades dos “Aladins” de plantão.

Não consigo ver o Evangelho de Deus ser reduzido a uma esteria financeira, emocional e triunfalista. Se Deus não fizesse mais nada por nós, já fez o suficiente quando morreu naquela cruz, mesmo que fossemos todos os dias da nossa vida a igreja, ou oferecêssemos tudo que temos ou somos, não seria suficiente para pagarmos o grande bem que nos foi dado, a salvação eterna! As benção de Deus não se compra com sacrifícios ou esforços humanos, mas foi nos dado de graça, pela graça!

Uma das máximas da reforma protestante foi “uma igreja reformada sempre reformando”. Precisamos desta reforma o mais rápido possível, pois este evangelho, o evangelho do triunfalismo, também é o Evangelho da Decepção. Mais de 44.000.000 de pessoas desviadas do verdadeiro evangelho, que tristeza.

O amplo crescimento do número de pessoas evangélicas deveria iniciar uma revolução na cultura brasileira, gerando uma contra corrente poderosa de moralidade, uma visão potente e alternativa, deveria estar se expandindo pelas empresas, escritórios e salas de diretoria, pela mídia, universidades e profissões, de um lado a outro do país. Os resultados deveriam ser perceptíveis. Valores seculares estariam vacilando e seus defensores deveriam estar bastante preocupados. Porém como se pode verificar, todo este crescimento evangélico passou quase que desapercebido pela cultura. Ao invés disso ainda conseguimos verificar que o mundo evangélico adquiriu o jeitinho brasileiro. Muitos que se dizem convertidos, aceitaram a Jesus, mas não mudaram suas atitudes mundanas, invadindo até mesmo as igrejas com procedimentos e atitudes de pessoas que não possuem a mente de Cristo.

Os evangélicos tem convicções cristãs corretas, mas muitas destas convicções permanecem na periferia de sua existência, em vez de estar no centro de sua identidade.

Precisamos de um reavivamento do compromisso intelectual de cada cristão, recuperar a imagem de Jesus, como um individuo intelectualmente competente e que sabia do que estava falando.

Aplicação

  1. Cite os livros que você leu nos últimos cinco anos e liste as pessoas relevantes com quem se relacionou nos últimos cinco anos, pois muito do que você é hoje foi resultado desse investimento.

  2. Levando em consideração que daqui a cinco anos você será o resultado daquilo que leu e das pessoas com quem se relacionou neste período:

    A. Liste 60 livros que você se propõe a ler nos próximos 5 anos (um por mês).

    B. Liste 10 pessoas relevantes com as quais vai procurar se relacionar e aprender.

Bispo Pedro Luiz

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